Não precisamos da idade do Bronze [#2]
A era do bronze é uma árvore morta.
Resumo: O presente artigo faz um comentário e análise crítica da obra Bronze Age Mindset, do autor que atende pelo pseudônimo de Bronze Age Pervert. É feita uma análise do caráter sexual da obra e da defesa que BAP faz de uma moralidade pré-cristã, inspirada na era do bronze. Faremos uma crítica a esse tipo de moralidade e versaremos um pouco sobre a influência de BAP no Brasil, que tem crescido aos poucos.
Palavras-Chave: Bronze Age Mindset. Masculinismo. Vitalismo.
[AVISO: a leitura de comentários desse artigo no canal do youtube demorará um tempo, como eu postei em cima da hora não farei a leitura de comentários no domingo dia 21/12/2025]
VERSÃO EM VÍDEO:
Introdução - Quem é B.A.P.?
BAP é a abreviação do nome Bronze Age Pervert, que é o pseudônimo de alguém não identificado. Até aí tudo bem, é bastante comum na história da literatura mundial autores usarem pseudônimos. Inclusive nem nos interessa seu nome real e sua origem nacional. Se o autor quer se manter anônimo tudo bem, respeitamos o desejo do autor se manter assim.
O BAP é host de um podcast de comédia chamado Caribbean Rhythms. Inclusive é um podcast muito bom que mistura críticas bem humoradas à modernidade, juntamente com algumas pitadas de comédia masculinista misturada com elementos da cultura greco-romana.
Como comediante o BAP é muito bom. Ele tem alguns cortes interessantes como, por exemplo, a crítica dele sobre os filmes de Ridley Scott e o filme drive. Esse filme inclusive tem um protagonista que se parece muito comigo.
BAP também é o autor de um livro lançado em 2018 chamado Bronze Age Mindset. É um livro interessante que serve de base para muito do que iremos comentar hoje. O Bronze Age mindset é um livro bastante culto e intelectual e é difícil pensar em alguém no Brasil que poderia escrever um livro desses. O conhecimento do BAP com relação ao mundo antigo e suas práticas é algo bastante impressionante. Por exemplo, ele cita a Alexíada. Aposto que você nem sabe o que é isso.
Mas antes de comentarmos a obra primeiro cabe um ponto importante.
1 ) A sexualidade de BAP?
Durante a leitura do livro Bronze Age Mindset uma coisa chama bastante a atenção. Existem inúmeras referências sexuais. São tantas referências sexuais nesse livro que chega a ser difícil até de contar. Parece que a questão sexual está sempre na mente do autor, ela vai e volta em múltiplos momentos do livro para esse assunto.
Em um primeiro momento pensei que fosse algo natural pois sempre vi o BAP como sendo um beta coomer. No Xwitter é bastante comum que o BAP fique postando fotos de mulheres nuas e… homens musculosos.
Particularmente eu acho isso meio estranho, meio esquisito. Por que diabos alguém ficaria na internet procurando fotos de homens musculosos para postar no Xwitter?
Além disso, existe no livro Bronze Age Mindset algumas citações meio estranhas, por exemplo:
“Eu desejo saber como é ser uma garota vietnamita dona de um salão de beleza, ou uma senhora angolana obesa de meia-idade… sim, nenhuma forma de vida, mesmo que a mais miserável, me escapa nesses momentos de curiosidade.” (Capítulo XI)
Ou ainda:
“Sempre senti que há um tipo de liberdade nos becos escuros e nas luzes vermelhas, uma liberdade compartilhada entre putas, viciados, pervertidos e coisas piores e sempre busquei jantar entre eles quando tive chance.” (Capítulo XVII)
Seria o BAP um degenerado homossexual enrustido? Ele costuma falar muito da masculinidade e do homem masculino, e todos nós sabemos que no meio masculinista existem homens gays dentro do armário. Não são todos, evidentemente, e nem a maioria, mas isso existe dentro do masculinismo. Assim como existem muitas lésbicas no feminismo.
Mas, é mais provável, contudo, que o BAP seja só mais uma vítima do excesso de pornografia moderno. Mas que é meio estranho é. Além da questão sexual ser muito citada existem elocubrações bastante longas do BAP sobre o que faz alguém ser homossexual (Cap. XXXIII). Em alguns casos os paralelos são interessantes, como as referências que ele faz ao Genyosha.
2) A influência nietzscheana
Mas deixando as fofocas sobre a vida privada de BAP de lado cabe tecer alguns comentários sobre o que afinal BAP pensa. Em primeiro lugar BAP não leva a questão de Deus a sério. Em múltiplos momentos da sua obra ele faz pouco caso de Deus (Cap. XXIV) e, quando se importa, parece se importar com Deuses mais antigos. Ele possui uma fixação na função solar apolínea, que provavelmente vem de Nietzsche, mas ele não diz explicitamente.
Com a relação à modernidade ele é um crítico daquilo que poderíamos chamar, de um modo geral, de sociedade de conforto. Assim como Nietzsche BAP percebe que o excesso de conforto e a domesticação do ser humano fazem mau ao homem. Inclusive BAP cita o conceito de último homem de Nietzsche.
(O conceito de último homem é um conceito multi autoral e complexo demais para tratar aqui neste momento, mas, na filosofia de Nietzsche, refere-se ao homem enfraquecido pelo conforto.)
BAP aparenta defender uma moralidade antiga no sentido ancient do termo. Que seria uma moralidade dos guerreiros helenísticos e romanos da roma pré cristã. Ele critica a modernidade pois ela leva à uma vida sexual menos intensa (Cap.42).
BAP também aparenta ter uma visão genoniana do cristianismo, que acreditava que o cristianismo original era algo diferente do cristianismo contemporâneo:
Talvez, em seus primórdios, o cristianismo tenha sido o mesmo que o budismo e tal semelhança acabou se perdendo nas confusões sectárias odiosas que distorcem a história. É fácil pensar que esta é a religião de uma era sem esperanças, que é o subproduto da decadência do Império Romano e o sintoma de um desespero agonizante. (Cap. 45)
BAP também passa longos períodos do texto tentando desacreditar o cristianismo dizendo que nada pode ser comprovado e que tudo pode ser manipulado, e que talvez o cristianismo não exista desde o ano zero. Ele deixa bem claro que não possui um modo de pensar cristão e, em muitas ocasiões, aparenta ter uma repulsa ao cristianismo.
3) A solução proposta: a era do bronze
Depois de dizer que praticamente tudo depois do cristianismo é ruim ele propõe uma solução, que é a o retorno a era do bronze. Essa solução passa pela instauração de um sistema militarista, vitalista com inspiração de moralidade heróica helenística que almeja o Otium et Bellum.
Ele diz que a vontade de força e liberdade surge de dentro mas não pode existir sozinha. BAP sugere então clubes aristocráticos, fraternidades e irmandades masculinas e relações masculinas baseadas na amizade como era na grécia antiga.
Eis o verdadeiro fundamento da Idade do Bronze, da idade das grandes aventuras, da era dos heróis… isto é uma questão de sangue e espírito para os poucos entre vocês que são adequados para isso, deve ser algo tão fácil de se recuperar quanto o descuido que vem ao ser tomado pela chama da vida. Você deve abraçar seus próprios instintos e parar de relega-los ao abandono, deve entender a dedicação comum a uma causa maior, deve entender que um grande amigo é inestimável porque vocês estimulam um ao outro e guardam um ao outro durante a jornada. (Cap. 54)
Depois, até o final do livro, ele vai contar casos de gregos que exerceram o vitalismo na época deles, e vai fazendo uma apologia à uma suposta época onde era possível aos homens gregos subjugarem Deuses, como no caso de Diomedes que feriu Afrodite e Ares em batalha e também Aquiles herói de Tróia.
4) Problemas no pensamento de BAP
4.1) A questão da τέχνη (Tékne)
Tudo o que o BAP defende como o certo a se fazer não se sustenta nos dias de hoje devido ao domínio da técnica sobre o humano. Você pode criar uma máquina do tempo, voltar a era do bronze, pegar os guerreiros mais vitalistas, mais fortes, mais corajosos e trazer para o presente para formar um estado nação forte.
Esses mesmos guerreiros, rapidamente, serão explodidos por nerdolas tetudos através de um drone. Nerdolas esses que estão sentados confortavelmente dezenas de quilômetros de distância desses homens da era do bronze.
Gostando você ou não, a técnica é um equalizador de forças. De modo que hoje uma pessoa muito fraca pode vencer uma pessoa muito forte. O homossexual mais fraco e patético de todos da modernidade pode, com um movimento de um joystick, explodir o mais bravo guerreiro.
Já cansei de ver no Xwitter bravos soldados russos sendo mortos por drones. Isso porque a guerra hoje não envolve mais a força bruta e vitalismo, mas sim a capacidade de manter a estrutura industrial. Um povo fraco mas industrializado vence um povo forte desindustrializado.
Para um povo de espírito forte conseguir enfrentar o povo de espírito fraco ele necessariamente precisará se industrializar, o que levará esse povo à fraqueza de espírito da sociedade industrial contemporânea.
Lembro-me de certa vez estar em um shopping center e ver um homem sojado de quarenta anos, meio calvo e usando um pijama. Sabe esses caras que vão de pijama passear no shopping? Esse cara derrotaria o rei Leonidas de Sparta hoje através de um drone.
O único cenário onde a força, o vitalismo e a masculinidade seja algo decisivo em questões civilizacionais é se a humanidade fosse resetada e voltássemos a era pré-industrial. Bem como no final do filme Escape From LA (1996), onde Snake Plissken aperta um botão e desliga permanentemente toda a energia elétrica do planeta terra.
(Inclusive esse ator é muito parecido comigo, mesma energia espiritual.)
4.2) A era do bronze é uma árvore morta
Existe algo de bonito em uma árvore morta, assim como existe algo de bonito na era do bronze. A era do bronze foi um período onde os homens eram livres e seu valor era medido pela coragem e pela habilidade em combate. Muitas das histórias épicas da Grécia antiga seguem vivas até hoje na nossa memória.
Mas a era do bronze, assim como a árvore de bladerunner 2049, está morta.
E está morta porque seu tempo já deu, seu tempo já passou. A era do bronze era consequência de uma época que já foi superada pelo ser humano. E essa superação se dá através da vinda de Jesus Cristo no ano zero.
“Não acredito em Deus, sou ateu, burro e corno.” Ok, tudo bem.
Pense então na era do bronze e no cristianismo como fórmulas políticas.
(Fórmula política é um conceito de Gaetano Mosca no livro The Rulling Class que pode ser entendida de maneira livre como: um conjunto de crenças e valores compartilhados que faz com que os governados aceitem os governantes sem reclamar muito.)
A era do bronze como fórmula política, ao entrar em confronto direto com a fórmula política cristã não sobreviveu. E, se analisarmos as civilizações como corpos orgânicos então, evolutivamente falando, a era do bronze não é uma boa fórmula política, pois não sobreviveu.
Darwinisticamente falando a fórmula política da era do bronze é inferior à fórmula política cristã pois, ao se chocarem em competição por sobrevivência, só a fórmula cristã sobreviveu ao tempo. O cristianismo é uma árvore viva com muitos e muitos galhos, como dizia Joseph Ratzinger enquanto que a era do bronze… a era do bronze é só uma árvore morta.
A mesma crítica pode ser feita ao império romano.
Muito da crítica pagã ao cristianismo diz que o cristianismo é um religião de fracos, de um Deus que se deixou crucificar, do Deus mais fraco de todos os Deuses que, ao invés de pregar a força pregava o amor. Cabe a pergunta:
Se Jesus Cristo é tudo isso, um fraco, então o que é Roma se não algo mais fraco ainda? Como Jesus Cristo, um homem fraco, derrotou o que é considerado o império mais forte de todos? Como ele fez isso?
Ele fez isso porque ele é Deus.
Jesus Cristo, o Deus mais fraco possível, derrotou não só Roma como também destronou o Judaísmo de sua posição de prestígio. Na disputa entre Roma e os Judeus, Jesus Cristo derrotou ambos ao criar o cristianismo.
Aí você entende o quão poderoso é Deus. O filho de Deus, que veio à terra propositalmente na forma mais fraca possível, foi capaz de derrotar as duas principais forças da época ao mesmo tempo. Imagine se ele tivesse resolvido abrir o domo.
O poderoso e grandioso império romano foi derrotado pelo filho de um carpinteiro. O judaísmo, com toda sua tradição e prestígio, foi e ainda é humilhado todos os dias pelo filho do carpinteiro. Eles cospem na cruz pois é nela que é exposta a mentira da religião judaica. Mas deixemos comentários sobre o Judaísmo para um artigo futuro, esse não é o assunto de hoje.
4.3) A questão do ordenamento sexual
BAP passa o seu livro, do começo ao fim, fazendo inúmeras passagens sobre sexo onde ele critica o feminismo na sociedade e os homossexuais como um sinal de fraqueza social. Vamos aqui discutir esses dois pontos, com calma.
4.3.1) O feminismo:
BAP identifica corretamente o feminismo como um problema, mas erra ao considerar que o oposto ao feminismo é o correto a ser defendido.
Ao se colocar contra o feminismo você já está aceitando o feminismo como uma tese. Ou seja, você está se colocando na posição de antítese. A solução correta não é essa.
A solução correta é colocar o feminismo na sua posição original, de antítese da tese patriarcal cristã, e não fazer uma corrente masculinista para ser uma antítese da antítese. Quem faz isso está contribuindo com o avanço da dialética liberal feminista.
O problema do feminismo não será resolvido com masculinismo, mas sim com cristianismo, com a ressureição de Deus no campo da moralidade ocidental. Deus é uma força capaz de travar a dialética dos conflitos entre homens e mulheres, pois homens e mulheres são, na verdade, forças complementares e cooperativas (Cf. Rerum Novarum, 1891).
O masculinismo, em muitos casos (não todos), prega o afastamento do homem com relação à mulher e muitas vezes esse afastamento vem junto com um comportamento hostil. Esse afastamento e hostilidade só ajuda o feminismo a crescer pois faz a dialética feminista avançar.
4.3.2) Os homossexuais
Aqui a questão fica complicada pois não se sabe qual a posição sexual de BAP. O que ele fala sobre homossexuais é que eles são fracos e são um sinal do fracasso da sociedade moderna. Ele faz essa crítica e depois fica parágrafos defendendo homens musculosos e atléticos.
Supondo que BAP não faça parte daquela coisa lá de yale… cabe pergunta.
Por que é necessário voltar a era do bronze para combater os homossexuais? Não é mais fácil virar cristão? O cristianismo reprova as práticas homossexuais. Até mesmo o catolicismo pós CVII condena o homossexual.
A prática homossexual é vista pela igreja católica como uma prática sexual desordenada, pois não é capaz de realizar finalidade unitiva e procriativa e, não pode, em caso algum, ser aprovada (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2357-2359)
A condição do homossexual deve ser para ele um convite à castidade.
As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã. (2359)
A igreja católica defende a castidade tanto para o homossexual quanto para o heterossexual. Aqui talvez esteja o problema do BAP e o porque ele não quer combater os homossexuais com os ensinamentos da igreja.
BAP é contra a castidade e ele deixa isso bem claro. Em muitas passagens ele faz uma defesa/exortação do sexo livre e da poligamia da Grécia e da Roma antiga pré cristã, o que são práticas sexuais desordenadas.
A moralidade que BAP defende em seu livro não é uma moralidade cristã pois ele vê o cristianismo como impedimento à moral livre, bárbara e heroica.
Infelizmente para ele, BAP não percebeu que todos os problemas que ele aponta poderiam ser resolvidos pelo cristianismo.
4) Bronze Age Mindset no Brasil.
Qual a influência de BAP no Brasil? Por enquanto pouca. Você tem alguns jovens dinâmicos brasileiros no xwitter que as vezes mandam mensagens para ele aqui e ali. Tem também alguns jovens larpando que são vitalistas e tal, mas no geral são todos uns sojados.
No geral a influência de BAP é bem menor do que a influência recente de Curtis Yarvin.
A verdade é que idade do bronze é impraticável, é uma árvore morta. Não é possível voltar aquela era. Contudo, existe algo da era do bronze que é sim possível e cabe analisar aqui: a estética.
A revolução leopardista proposta por Curtis Yarvin, para salvar o poder dos comerciantes, necessita de uma mudança simbólica radical para funcionar. Essa mudança simbólica é necessária pois ela facilita a mudança política.
No seguinte sentido: é muito mais fácil você acabar com a democracia e instaurar um regime autoritário se as pessoas tiverem a percepção estética de que o autoritarismo é algo positivo. É precisamente aí que a estética da era do bronze pode ser utilizada.
A estética da era do bronze e da roma antiga pré cristã é uma estética que exalta o forte e a vontade individual dos líderes e heróis em detrimento do mais fraco. Essa estética é muito útil aos arquitetos da monarquia CEO.
É provável que BAP jamais concordaria que seu livro e suas ideias fossem usadas para salvar a casta dos comerciantes, que estão por trás do ilumismo sombrio. Contudo, a obra de um autor não é só dele, mas é também de quem a interpreta. Já existiram inúmeros exemplos históricos onde a obra de um autor foi usada para justificar coisas que o próprio autor não concordaria. A relação de Nietzsche com o nazismo talvez seja o exemplo mais notório.
E a relação da era do bronze com o Brasil?
A era do bronze é uma cultura exótica ao Brasil e que nada tem a ver com a formação cultural do nosso povo e, por isso, deve ser rejeitada.
Non abbiamo era do bronze.
O Brasil é fundado em cima da fé cristã e essa busca pelo neopaganismo nada tem a ver com o ethos brasileiro. A era do bronze é uma fórmula política anti-cristã e já superada por Jesus Cristo. Nesse sentido a era do bronze é uma cultura exótica e hostil a brasilidade.
Ademais, o Brasil possui aspectos modernos também em sua formação. Aspectos que, ao nosso ver, são pontos negativos, mas que estão também lá. Muito da modernidade brasileira vem da influência francesa no Brasil, conforme já apontamos em artigos passados então não sejamos repetitivos.
Mas o que interessa é que a era do bronze também é uma crítica ao modernismo, o que também, indiretamente, é uma crítica ao Brasil e, por isso, deve ser rejeitada.
Esse post já está muito longo, tchau, obrigado.









PRECISAMOS DO SAQUAREMISMO CULTURAL!!!
"O homossexual mais fraco e patético de todos da modernidade pode, com um movimento de um joystick, explodir o mais bravo guerreiro."
Imagino que o brutamontes da caverna diria a mesma coisa quando viu que o betinha tinha um estiligue. O fim deste comentário é desmontar a narrativa de que soldados modernos sejam essencialmente inferiores aos antigos.
A analogia feita é falsa! Não é "basta churrascar o russo com drones meu irmão", para operar a arma exige treinamento, domínio da tecnologia (o exército ucraniano fornece as peças, são os próprios soldados que os montam) e a coordenação das unidades para a máxima eficácia do drone. Todavia, a ideia persiste, o guerreiro antigo era fodalão, enquanto o soldado moderno é, no máximo, um sub-guerreiro.
As narrativas antigas e modernas (holywood) geralmente retratam a guerra sob o ponto individualista. O grande guerreiro: Hercules, Sansão, Leonidas etc, usa da sua força para, "sozinho" (geralmente estes personagens eram os escolhidos de deuses), esmagar as hordas inimigas. Entretanto as batalhas antigas sempre foram lutadas em formações, falanges, onde a força da massa dava ânimo para o soldado lutar adequadamente; assim que a batalha era perdida, eles debandavam em manadas. Tanto os gregos quanto os romanos desenvolveram teorias de como usar essas formações do melhor modo possível.
Leon Bloy lamentava: "Expiatório, sem dúvida, mas sem beleza. O canhão é uma invenção da mecânica. Matando os homens a distância, reduz a nada os mais nobres impulsos da coragem humana. Soldados sublimes são mortos antes de perceber o inimigo." Entretanto eu refuto! 1- Mesmo sem uma conclusão bela, o soldado permanece corajoso. 2- A nova situação põem a coragem num novo ambiente de teste. Anteriormente disse que as guerras eram lutadas em bando, todavia o drone nega a eficácia do bando, para evadir detecção, os russos enviam pequenos grupos ao território inimigo. Neste novo cenário não há bandas militares exaltando as tropas, o rei/general/oficial tranquilizando com sua presença. Sozinho nas planíces do Donbass o soldado tem um martírio solitário. Não vá dizer que há uma alma de guerreiro nesses homens!
Espero que esse blocão de texto pelo menos seja legal para o episódio, 1abraço Dr 1mero.