Não precisamos do iluminismo sombrio [#1]
Por que o iluminismo sombrio é uma má ideia.
Resumo: Neste artigo começaremos a discutir e refutar o iluminismo sombrio, começando pelo pensador americano Curtis Yarvin. Em um primeiro momento faremos uma introdução mostrando como ele chega aeo Brasil e, em um segundo momento iremos expor as ideias autoritárias e antidemocráticas de Curtis Yarvin por trás da ideia de monarca CEO. Mostraremos nesse artigo que a ideia de um monarca CEO e o dark enlightenment nada mais são do tentativas de gerar uma revolução leopardista que visa salvar o iluminismo e o poder dos Vaishyas no mundo ocidental.
Palavras-Chave: Dark Enlightenment. Curtis Yarvin. Iluminismo. O Leopardo.
[NOTA: Os comentários dos leitores sobre este artigos serão lidos em uma live do dia 14/12/2025 lá no canal do Youtube.]
VERSÃO EM VÍDEO DO ARTIGO:
Introdução: a vinda de Curtis Yarvin ao Brasil
O Brasil, como todos sabem, é um país atrasado. Atrasado no sentido de que tudo que é novidade demora a chegar. Antigamente acreditava-se que esse atraso era porque as novidades precisavam vir de navio do outro lado do oceano atlântico. Porém hoje, na era da informação, essas distâncias ficaram muito mais curtas, mas, ainda assim, as novidades continuam demorando a chegar no Brasil. Talvez demore por causa da burrice dos intelectuais brasileiros contemporâneos ou talvez seja culpa da repulsa natural dos intelectuais brasileiros pelo trabalho intelectual. Seja por burrice ou por preguiça macunaímica, tanto faz. O fato é que as novidades demoram a chegar aqui na terra de santa cruz.
Curtis Yarvin é um intelectual americano que lá nos Estados Unidos já está em declínio, poucas pessoas o levam a sério, pois já está bem claro a todos a quem ele serve e qual a sua agenda esotérica por trás da ideia de monarca CEO. Mas, no Brasil, ele tem chegado aos poucos, lentamente, como tudo o que chega no Brasil.
Uma das primeiras pessoas que trouxe Curtis Yarvin ao Brasil foi um professor de filosofia chamado Guilherme Freire. Guilherme Freire trouxe Curtis Yarvin ao Brasil indiretamente ao propagar algumas ideias de Curtis Yarvin sem citá-lo diretamente. Isso ocorreu por volta de 2023 ou até um pouco antes.
Depois, mais recentemente, um movimento político brasileiro anti-cristão chamado MBL trouxe Curtis Yarvin em um congresso deles. Marcando, talvez, oficialmente a vinda de Curtis Yarvin ao Brasil.
O MBL comprou a ideia do Curtis Yarvin sobre o Dark Enlightenment e surgiu com uma versão brasileira extremamente cringe, chamada Dark MBL. Com relação ao Dark MBL eu peço que: por favor, parem.
Diante disso, diante dessa vinda tardia do Curtis Yarvin (e toda a patota do Dark Enlightenment americano) chegando, finalmente, ao Brasil, cabem algumas refutações.
Por que?
Por que eu posso e Deus permite.
Iluminismo sombrio: não precisamos
Deus guie minhas mãos, minha voz e meu espírito para que dele venha a verdade e a justiça.
Non Abbiamo iluminismo sombrio.
Dizem eles, os arquitetos do iluminismo sombrio, que o iluminismo precisa ser modificado e ter seus fundamentos errados destruídos, sendo esses fundamentos o igualitarismo e a democracia.
Até aqui talvez até estejamos de acordo.
Afinal Deus pai, em toda sua sabedoria, ao criar o cosmos do modo que criou ab nihil, decidiu em toda a sua infinita bondade permitir a existência do ser humano e, quando fez isso, decidiu que os seres humanos, cada um deles, nascerá diferente dos outros.
A diferença, portanto, é um elemento constitutivo central do seres humanos, não somos formigas, Deus não nos fez iguais. Por isso, cabe ao cristão negar as doutrinas igualitaristas, que reconhecem na diferença um problema a ser superado.
Já a democracia, como soberania popular absoluta, é uma ofensa a Deus, pois é um regime que nega Deus como fonte última da autoridade e além disso permite que seus filhos sejam enganados por demagogos.
Não só a democracia nega Deus como foi o meio que levou Jesus Cristo à morte pelas mãos dos Judeus, que na época decidiram salvar Barrabás.
Conforma aponta Matheus 27:20-26
“Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as multidões a que pedissem Barrabás e fizessem morrer Jesus.
(…)
Eles responderam: ‘Barrabás!’
(…)
‘Então que farei de Jesus, chamado Cristo?’
Todos disseram: ‘Seja crucificado!’”
Ora, se também somos críticos do igualitarismo e da democracia, por que o iluminismo sombrio, que critica justamente esses aspectos da modernidade, é algo reprovável? Não deveríamos nos unir a esse pensamento? A resposta é não.
O diagnóstico e a cura
Ainda que o iluminismo sombrio esteja correto em sua crítica ao diagnosticar a doença do iluminismo ele está totalmente errado na solução (cura) que ele apresenta.
De fato o igualitarismo e a democracia podem ser problemáticos, mas não é com individualismo e autoritarismo extremo que o problema será solucionado. Indo bem direto ao ponto:
O problema do iluminismo sombrio é que ele é também iluminismo. Ele é um tipo de iluminismo que critica a si mesmo, buscando se livrar de problemas que nascem a partir dele mesmo.
Assim como Deus, em toda sua sabedoria, fez o homem diferente, plural, Deus também fez os homens semelhantes. Não só ele fez os homens semelhantes como ele criou a igualdade como regra lógica da matemática.
1 + 1 = 2
Cada ente é particular, é um numero 1, mas unidos pela lógica da igualdade eles formam o plural. A igualdade é regra na natureza, assim como a diferença também é. O individualismo extremo, típico de regimes liberais, vai contra Deus também, assim como o igualitarismo. São dois lados da mesma moeda.
O desejo por igualdade entre os homens manifesta-se na justiça desde muito tempo, talvez desde os primeiros homens. Onde há lei, busca-se a igualdade, o justo, esse é um desejo natural dos homens. Mesmo em leis erradas (como o código de Hamurabi, criado a 1772 a.c. na mesopotâmia) buscam punições proporcionais e focadas na igualdade.
Negar o desejo por igualdade é tão errado quanto negar as diferenças entre os homens.
Com relação ao autoritarismo, como uma resposta ao pecado da democracia, o iluminismo sombrio também erra, mas, ao invés de errar no plural, erra no singular. Se a democracia erra ao acreditar nos homens, o iluminismo sombrio erra ao acreditar no homem.
Com relação a esse erro, cabe um aprofundamento.
O autoritarismo e o monarca CEO
A teoria do monarca CEO, antes de tudo, é uma teoria pornográfica.
Entenda que assistir pornografia e se masturbar não é transar. É apenas uma auto ilusão de estar transando, o que não é transar.
Do mesmo modo, o monarca CEO não é um monarca. Ele é apenas um CEO que acha que é um monarca, que gostaria de ser um monarca, mas que não é.
O monarca CEO é um simulacro de um monarca verdadeiro. A cópia, da cópia, da cópia…
O monarca verdadeiro faz parte de uma estrutura social radicalmente diferente do falso monarca, o monarca CEO. O monarca real surge de um arranjo social que prioriza excelência espiritual e intelectual. Já o CEO surge de um meio social que prioriza o comércio, o materialismo e o domínio da técnica sobre o homem (o desvelamento do ser, nas palavras de Martin Heidegger).
Um CEO, antes de tudo, é um representante de um tipo de humano, de uma casta de humano, se você assim preferir, de um comerciante (Vaishya1). Já o monarca real é um tipo de humano voltado à assuntos elevados e conectado com o transcendental (Bramin/Kshatryia).
Outro modo de explicar, de um ponto de vista espiritual, seria a metáfora das três formas de almas de Platão. Um comerciante é uma alma de bronze, que não é capaz de exercer a função da alma de prata (Kshatryia), e muito menos exercer a função de um rei filósofo, alma de ouro.
Falando em rei, o iluminismo surge justamente para acabar com os reis e dar lugar a uma nova organização social que favorece o comerciante em detrimento de todos os outros tipos humanos.
Esse arranjo social que surge no iluminismo é desde o começo um arranjo anti-monarquia. É justamente por causa desse arranjo social que surge aquilo que Curtis Yarvin chama de “A catedral”, que nada mais é do que uma minoria organizada de comerciantes (Vaishya) que controlam o mundo ocidental desde o começo do iluminismo, com todos os tipos de traquinagem e degeneração possível. Os inimigos de Deus.
São os vampiros de Bram Stoker.
São os anões de Tolkien.
São os banqueiros de gringotes, de J.K. Rolling.
Esses são os criadores e os donos do iluminismo. Eles são a catedral e Curtis Yarvin faz parte desse processo. A crítica de Yarvin no fim das contas é que o iluminismo não deu poder suficiente aos Vaishyas e por isso precisa ser reformulado.
O apelo ao autoritarismo do monarca CEO é um apelo de mais poder aos Vaishyas, é uma tentativa de salvar o iluminismo reformulando-o para que os Vaishyas continuem no poder. Aqui mais uma vez cabe a citação de Giuseppe Tomasi di Lampedusa no romance O Leopardo.
As vezes é preciso que tudo mude, para que tudo permaneça como está.
A crítica de Yarvin não é pelo fim do iluminismo, pelo fim do controle dos Vaishyas no mundo ocidental, não. A crítica de Yarvin é pelo renascimento do iluminismo, para que, depois de todas as mudanças radicais e autoritárias, os Vaishyas continuem mandando em tudo e que nada mude.
Curtis Yarvin não defende uma revolução progressista no sentido marxista do termo.
Curtis Yarvin também não defende uma revolução conservadora anti-liberal como Mosse e Schmitt.
O que Curtis Yarvin defende, no fim das contas, é a revolução dos leopardos. É uma revolução que se propõe a mudar tudo para que tudo permaneça como está.
Conceito: a revolução dos Leopardos (s.f.)
Entendemos como revolução dos leopardos todo e qualquer processo revolucionário que (1) tenha como objetivo inicial modificar um determinado sistema, e que (2) tenha como resultado final um novo sistema que mantenha no poder os donos do sistema antigo. Inspirado na máxima de O Leopardo, de Lampedusa “É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está.” - esse modo de revolução apela para mudanças simbólicas radicais e reformas profundas, mas controladas, que visam não alterar o núcleo de poder desse determinado sistema. A revolução dos leopardos difere-se das revoluções progressistas pois não visam o futuro (destino histórico), e também diferem-se das revoluções conservadoras que visam o passado (tradicionalismo). A revolução dos leopardos visa o presente e a manutenção do status quo das estruturas de poder profundas.
A origem do monarca CEO: de onde vem ideia?
Vimos na parte passada desse artigo que a ideia de monarca CEO, além de ser um simulacro de monarquia (pornografia), também é uma mudança simbólica radical no sistema liberal que visa gerar uma revolução dos leopardos, que por sua vez, busca manter os donos do liberalismo no poder.
Agora cabe a pergunta, de onde surge essa ideia? Uma ideia sofisticada assim não surge do nada. Bom, essa ideia de monarca CEO é uma modificação de Curtis Yarvin à ideia de Hans-Hermann Hoppe. Claro, só podia ter vindo do libertarianismo essa merda.
Em 2001, há 24 anos atrás, Hoppe publica o livro “Democracia o Deus que falhou”. Nesse livro Hoppe faz uma comparação de um governante eleito democraticamente com um monarca. A comparação feita diz respeito aos incentivos para cuidar do reino. Hoppe vai argumentar que o governante eleito democraticamente tem um foco no curto prazo (reeleição) e não sofrerá grandes consequências pessoais caso faça um mau governo. Já o monarca, aponta Hoppe, tem uma tendência a pensar no longo prazo e tende a cuidar do reino melhor, pois seus filhos herdarão o reino depois que ele se for.
Diante disso, Hoppe conclui que a monarquia é melhor para administrar um país que o regime democrático e que, um regime que priorize a propriedade privada (monarquia) à propriedade temporária (democracia) de um reino tende a ser melhor. Uma refutação à essa ideia de Hoppe será feita no futuro, mas já adiantando ela peca por reduzir a monarquia ao materialismo.
Mas voltando à Yarvin.
Yarvin pega essa ideia e a modifica aplicando-a à uma empresa. Ele vai dizer que as empresas que funcionam, que conseguem se desenvolver melhor, são aquelas que são governadas por CEOs que agem como monarcas, daí vem a ideia de monarca CEO. Curtis Yarvin aparenta repudiar, nesse caso, o conceito de revolução gerencial, criado por James Burnham, mas isso é assunto para outro artigo futuro.
O que importa para nós no momento é outra coisa, é como surge essa ideia. Estamos analisando aqui aquilo que Nietzsche chamava de um estudo da genealogia das ideias, conforme ele aponta na parte 1 da Genealogia da Moral, de 1887.
De onde vem Curtis Yarvin e a ideia de monarca CEO?
Primeiro surge o renascimento.
Do renascimento, surge o iluminismo.
Do iluminismo, surgem as ideologias.
Das ideologias, surge o liberalismo.
Do liberalismo, surge o libertarianismo e,
do libertarianismo surge a ideia de monarca CEO.
Perceba que tudo faz parte da mesma cadeia causal e em todos os momentos dessa cadeia causal o poder dos Vaishyas, os inimigos de Deus, nunca é realmente questionado.
O problema principal nunca é questionado. Problema esse que é a inversão da hierarquia espiritual do corpo do mundo ocidental. Lúcifer, ao criar o renascimento, inverte a ordem natural das coisas, e coloca os comerciantes no poder no lugar dos homens de Deus.
O que Curtis Yarvin propõe é que se mantenha essa estrutura diabólica de poder no mundo ocidental, através de uma revolução leopardista encabeçada por um monarca CEO. Contra isso, devemos lutar, não precisamos do iluminismo sombrio assim como não precisamos de qualquer tipo de iluminismo, pois é justamente esse o problema, o problema é o iluminismo.
O iluminismo não deve ser reformado, o iluminismo deve ser destruído, em nome de Deus.
O autor deste texto não acredita em castas. Esse sistema pagão de castas indianas está sendo usado nesse texto pois ele possui um poder explicativo interessante. É como falar em “esquerda” e “direita”. Apesar desses termos não fazer sentido, eles são locais comuns que as pessoas entendem e que é um bom ponto de partida para uma conversa.











É uma ferramenta de apaziguar os ânimos e agitações semelhantes ao Nepal e Bulgária.
Qualquer discurso político que não defenda Cristo Rei e a igreja, é cilada. Tá mais que na cara que é cilada. Soluções fora do sistema devem ser descartadas.
Olá Homero-chan, gostei muito do artigo, me deixou bastante desiludido com a direita global e seu futuro 🙍. Gostaria de acrescentar algumas reflexões e opiniões sobre essa nova direita Nrx que está surgindo. Recentemente, reassisti a um dos seus vídeos antigos no canal NVP Cultural (sinto saudades daqueles tempos) e vi o segundo episódio gravado, onde você fala sobre oposições controladas, os famosos "Gatekeepers" e como as elites de Mordor criam sistemas de oposição para que, se vencerem a disputa política, possam permanecer como senhores do mundo (parabéns, Homero, você está à frente do seu tempo; em 2022, você já estava mandado a pill). Usando essa lógica, comecei a traçar vários paralelos entre essas teorias e as figuras que você menciona no seu artigo. Os dois principais exemplos são o Jeca gay Curtis Yarvin e o Chicano Homossexual Nick Fuentes. Ambos são exemplos claros de oposições controladas.
1-Yarvin para começar é claramente um fantoche intelectual das elites do Vale do Silício, que parecem estar sendo treinadas para substituir as elites dinásticas do mercado financeiro (Soros, Rockefeller e outros). De todos esses guardiões, ele é o que tem a melhor chance de se tornar uma força real, considerando que o segundo nome principal do movimento MAGA, Jade Vance, é financiada por eles e tem Yarvin como mentor. Admito que temo o que pode acontecer se eles chegarem ao poder. Afinal, essa elite NRX consegue ser ainda mais doentia e esquizofrênica do que as elites anteriores, como Peter Thiel, que pretende impedir a vinda do Anticristo usando cibertecnologia e modificação genética/eugenia.
-Fuentes, por outro lado, parece servir a outra elite, que desconheço. Hoje, ele é o maior opositor de Trump, atacando-o constantemente mesmo antes das eleições de 2020 e 2024, nas quais declarou apoio total a regime Democrata, apesar de ser de direita. Outro exemplo são suas questões raciais, onde ele sempre age como um suprema@#$_ Bra@$, mas fora das câmeras, quando não sabia que estava sendo gravado, se declarou hispânico e disse que tudo o que fez foi por dinheiro. Por fim, há seu estranho envolvimento na invasão do Capitólio, que ele invadiu ativamente, mas não sofreu nenhuma punição, mesmo havendo vídeos gravados do ocorrido. Eu me pergunto se Fuentes é um oportunista ou uma manobra dos democratas para enfraquecer o movimento MAGA, já que, depois de Trump e Charlie Kirk, Fuentes é a figura política mais popular da direita americana na internet. Bem, no fim das contas, o que está por vir é uma nova geração de Gatekeepes, assim como a geração anterior de Bolsonaro e Olavo, pelo jeito tudo acaba nesse fatalismo. Mais uma vez, teremos que permanecer como o soldado romano observando a destruição de Pompeia, aceitando o pior, mas Continuando em seu posto de soldado até o fim.
como disse based Viriato